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Percurso com Artes em Cabreiros

Curso Vocacional na escola E.B. 2,3 de Cabreiros

Na escola E.B. 2,3 de Cabreiros iniciou, este ano letivo, um curso vocacional, "percurso com Artes". Este curso é constituido por alunos com mais de 15 anos e com duas ou mais retenções no seu percurso escolar.

Com este curso os alunos têm a possibilidade de concluir o 9ºano e, caso estejam interessados, poderão prosseguir estudos numa escola profissional ou no ensino regular, desde que realizem com sucesso a Prova Final de 9ºano.

Felizes com esta oportunidade que lhes é dada, os alunos do curso vocacional encaram o novo ano letivo com esperanç e espetativa.

Nuno Adriano Rocha

Rui Borges

Alunos do CV1

                                             

 

 

 

Para ler e pensar...

Como um Romance

Daniel Pennac, Edições Asa, 5ªedição,1995

 

«O verbo ler não suporta o imperativo. É uma aversão que compartilha com outros: o verbo amar… o verbo sonhar…

 É evidente que se pode sempre tentar. Vejamos: “Ama-me!” “Sonha!” “Lê!”. “Lê, já te disse, ordeno-te que leias!”
-Vai para o teu quarto e lê!
Resultado?
Nada.
Ele adormeceu sobre o livro (…).
- Ele acha que as descrições são demasiado longas. Temos de o compreender, estamos no século do audiovisual, evidentemente, os autores do século XIX tinham de descrever tudo…
- Mas isso não é razão para o deixarmos saltar metade das páginas!» (pp. 11-12)

 

 «Esta aversão à leitura é ainda mais inconcebível, se pertencemos a uma geração, de uma época, a um meio, a uma família em que a tendência era exactamente para  nos impedir que lêssemos.

        – Pára de ler, vais estragar os olhos!

        – Vai Lá para fora brincar, está um dia lindo.

        – Apaga a luz! Já é tarde!

        Nesse tempo, os dias estavam sempre demasiadamente bonitos para os desperdiçar com leituras, e as noites eram demasiadamente escuras.

        Note-se que, quer se lesse quer não se lesse, o verbo era conjugado no imperativo. Mesmo no passado, já era assim. De certo modo, ler, era um acto subversivo. À descoberta do romance acrescia a excitação da desobediência à família. Era um duplo esplendor! Ah, a magnífica recordação de horas de leitura às escondidas, debaixo dos lençóis, à luz da lanterna! Como galopava a Anna Karenina ao encontro do seu Vronski, àquelas horas da noite! Amavam-se um ao outro, o que já era magnífico, mas amavam-se enfrentando a proibição de ler, o que era ainda melhor! Amavam-se contra a vontade do pai e da mãe, contra o trabalho de matemática por acabar, contra a redacção, contra o quarto por arrumar, amavam-se antes de irem para a mesa, amavam-se antes da sobremesa, preferiam estarem um com o outro a irem ao futebol ou apanharem cogumelos... tinham-se escolhido um ao outro, nada mais queriam do que estar um com o outro… meu Deus,  como o amor é  belo!

        E como se lê o romance num instante!» (pp.13-14)

«-Enquanto que a televisão, e até o cinema, se virmos bem... está lá tudo, não temos que fazer qualquer esforço, está tudo mastigado, a imagem, o som, o cenário, a música de fundo para o caso de não se entender a intenção do realizador(...)"
-Na leitura, é necessário imaginar tudo isto... A leitura é um acto de criação permanente.» (p.24)

 

«O miúdo está de acordo com Flaubert; ele, os colegas, estão todos de acordo: «O Flaubert tinha razão!» Trinta e cinco trabalhos unânimes: é preciso ler, é preciso ler para viver; aliás, a absoluta necessidade de ler é o que nos distingue do animal, do bárbaro, do ignorante, do sectário histérico, do ditador triunfante, do materialista bulímico. É preciso ler! É preciso ler!

- Para aprendermos.

- Para termos sucesso nos estudos.

- Para estarmos informados.

- Para sabermos de onde vimos.

- Para sabermos quem somos.

- Para conhecermos melhor os outros.

- Para sabermos para onde vamos.

- Para conservarmos a memória do passado.

- Para esclarecermos o nosso presente.

- Para aproveitarmos experiências anteriores

- Para não repetirmos os erros dos nossos antepassados.

- Para ganharmos tempo.

- Para nos evadirmos.

- Para darmos um sentido à vida.

- Para compreendermos os fundamentos da nossa civilização.

- Para mantermos viva a nossa curiosidade.

- Para nos distrairmos.

- Para estarmos informados.

- Para nos cultivarmos.

- Para comunicar.

- Para exercermos o nosso espírito crítico.» (pp.68-69)

 

«Uma leitura bem conduzida salva de tudo, mesmo de nós próprios.

E acima de tudo, lemos contra a morte.» (p.78)

 

«Restam os outros alunos.

Os que não lêem e que se aterrorizam logo à partida com as radiações do sentido.

Os que se julgam estúpidos…

Definitivamente privados de livros…

Definitivamente sem respostas…

E em breve também sem perguntas.» (pp.90-91)

 

«Quando o perfume saiu da pasta do professor, a primeira imagem que surgiu na mente dos alunos foi a de um iceberg!(…)

Mas eis que começa a leitura, e vê-se o iceberg fundir-se nas suas mãos!

O tempo deixa de ser tempo, os minutos passam em segundos, e antes que decorresse uma hora, estavam lidas quarenta páginas.

O professor fizera uma média de quarenta à hora.

Ou seja, 400 páginas em dez horas.» (p.116)

 

«Trata-se de uma descoberta prodigiosa, que altera tudo! Afinal de contas, um livro lê-se depressa: com apenas uma hora de leitura por dia, durante uma semana pode ler-se um romance de 280 páginas!» (p.117)

 

«Não se força a curiosidade, desperta-se.» (p.122)

 

«Por agora, leio romances a um auditório que julga que não gosta de ler. Enquanto eu não dissipar esta ilusão, enquanto não fizer o meu trabalho de intermediário, nada de sério se poderá ensinar.

Mal estes adolescentes se reconciliem com os livros, percorrerão de bom grado o caminho que vai do romance ao autor, do autor à sua época, e da história aos seus múltiplos sentidos.» (pp.122-123)

 

«Caros bibliotecários, guardiões do templo, é excelente que todos os títulos do mundo tenham encontrado refúgio na perfeita organização das vossas memórias (...), é prodigioso que estejam a par de todos os temas ordenados nas estantes que vos cercam... mas como seria bom, também, ouvir-vos contar os vossos romances preferidos aos visitantes perdidos na floresta das leituras possíveis... Como seria bom que lhes dessem a conhecer as vossas melhores memórias de leitura! Sejam contadores - mágicos - e os livros saltarão directamente das estantes para as mãos do leitor.
E é tão fácil contar um romance. Às vezes bastam três palavras.» (pp.125-126)

 

 

«No início do ano, costumo pedir aos meus alunos que descrevam uma biblioteca. Não uma biblioteca municipal, mas o móvel. O sítio onde se arrumam os livros. E eles descrevem-me uma parede. Uma falésia do Saber, rigorosamente ordenada, absolutamente impenetrável, um muro intransponível.» (p.133)

 

«-E um leitor? Descrevam-me um leitor.

-Um verdadeiro leitor?

-O que quiseres, se bem que eu não saiba a que é que tu chamas um verdadeiro leitor.

Os mais «respeitosos» descrevem-me Deus-Pai em pessoa, uma espécie de eremita antediluviano, sentado desde o princípio dos tempos numa montanha de calhamaços, dos quais teria sugado o sentido até compreender o porquê de todas as coisas. Outros traçam-me o retrato de um autista profundo, de tal modo absorvido pelos livros, que choca com todas as portas da vida. Outros ainda, fazem-me uma descrição pela negativa, referindo aquilo que um leitor não é: não é desportista, não vive, não é divertido, não gosta de patuscadas nem das vestimentas, nem de carros, nem de televisão, nem de música, nem de amigos… e outros ainda, mais «estrategas» constroem perante o professor a estátua académica do leitor consciente dos meios que os livros põem à sua disposição, para aumentarem o seu saber e aguçarem a sua lucidez.» (pp133-134)

 

« E quando lhes peço que descrevam um livro, é um OVNI que pousa na sala: objecto perfeitamente misterioso, praticamente indescritível dada a inquieta simplicidade da forma e a proliferante multiplicidade das suas funções, um «corpo estranho», carregado de todos os poderes e de todos os perigos, objecto sagrado, infinitamente venerado e respeitado, arrumado com gestos de oficiante nas estantes de uma biblioteca impecável, para aí ser venerado por uma seita de adoradores com olhar enigmático.

O Santo Graal.» (p.134)

 

«Por mais sagrado que seja o discurso em torno dos livros, ainda não nasceu quem possa impedir Pepe Carvalho, o personagem preferido de Manuel Vasquez Montalban, de todas as noites acender a lareira com páginas das suas leituras preferidas.

È o preço do amor, o resgate da intimidade.»(p.136)




«Porque mais instrutivos ainda do que os modos de tratar os livros, são os modos de ler.

Em matéria de leitura, nós, os «leitores», temos todos os direitos, a começar pelos que recusamos aos jovens que pretendemos iniciar na leitura.

 

  1. O direito de não ler.
    2) O direito de saltar páginas.
    3) O direito de não acabar um livro.
    4) O direito de reler.
    5) O direito de ler não importa o quê.
    6) O direito de amar os «heróis» dos romances.
    7) O direito de ler não importa onde.
    8) O direito de saltar de livro em livro.
    9) O direito de ler em voz alta.
    10) O direito de não falar do que se leu.» (p.139)

 

«O homem constrói casas porque está vivo, mas escreve livros porque sabe que é mortal. Vive em sociedade porque é gregário, mas lê porque se sente só. A leitura constitui para ele uma companhia que não ocupa o lugar de nenhuma outra, mas que nenhuma outra poderia substituir. Não lhe oferece nenhuma explicação definitiva acerca do seu destino, mas tece uma apertada rede de conivências entre a vida e ele. Ínfimas e secretas conivências que falam da paradoxal alegria de viver, mesmo quando referem o trágico absurdo da vida. Por isso, as razões que temos para ler são tão estranhas como as que temos para viver. E ninguém nos pede contas dessa intimidade.

            Os raros adultos que me deram livros a ler, fizeram-no sempre de modo muito discreto, e nunca me perguntaram se eu tinha compreendido. A esses, evidentemente, eu falava das minhas leituras. Vivos ou mortos, ofereço-lhes estas páginas.» (p.166)

 

 

 

 

Página Biblioteca Mário Claudio

http://bemarioclaudio-com.webnode.pt

SER CRIANÇA É…

Olhar o mundo
Com olhos de cristal,
A alma pura,
O coração aberto
E o sonho ali tão perto…

Olhar o céu
E querer o Sol, a Lua,
Galopar nas nuvens
Até além, onde o azul desagua,
Falar com as estrelas
E querer conhecê-las,
Bordar o céu com fantasia,
Brincar na lonjura da praia,
Cheirar a maresia.

Ser criança é…

Caminhar chutando
As pedras de calçada,
Saltar os muros,
Fugir à desfilada,
Chapinhar na água,
Sujar sapatilhas e calções,
Ouvir “sermões”
E ficar sem mágoa.

Ser criança é

Sorrir, cantar, assobiar,
Pensar as brincadeiras,
Às vezes, fazer asneiras,
Correr até à exaustão,
Escorregar, cair no chão,
Levantar e continuar.

Ser criança é

Estudar,
Mas também brincar,
Aprender a crescer, a viver, a pensar,
Mas também ensinar.

Ser criança é…

Olhar o mundo com esperança,
Querer ser bailarina, bombeiro,
Aviador, polícia, marinheiro,
Sem qualquer hesitação,
Com alegria e confiança.

É sonhar,
Fazer castelos no ar
E acreditar que amanhã
O Sol voltará a brilhar
E o mundo será seu…

Contacto

Adolescentemarioclaudio fatimamateus.be@gmail.com